segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Desarrumação.

Pintei-te.
E hoje não estavas lá.
Foste tomar um café?
Podias ter deixado tudo arrumado!!
Estou farta de tropeçar em ventrículos abertos, vasos capilares partidos e de me desviar de poças (leia-se pôças!) de sangue venoso!
Raios te partam!

domingo, 14 de novembro de 2010

Como construir uma Fonte.

Copiosamente. É o segredo. Duas grandes fontes, grandes e límpidas fontes, jorram copiosamente.
E copiosamente é o segredo. Não param, não sossegam.
Talvez se lembrem de secar durante uns breves instantes, mas, copiosamente, deixam cair, escorrer, as lágrimas.
Se os automóveis pudessem viajar a lágrimas! A ecologia deixaria todas as convenções e passaria a ser Azul.
Porém, a ecologia, as árvores e os oceanos não sentem nada. Alimentam-me, assim, o desejo de ser parte da ecologia Azul, que brada do lado de fora da minha janela. Poderia ocultar ao Mundo qualquer faculdade humana (insana!) que na terrível condição de menina ladina me deixa constantemente, copiosamente, as lágrimas jorrarem.
Se alguém atirar uma moeda e pedir um desejo, talvez ele se realize quando bater no fundo das lágrimas. Ou talvez alguém arregace as mangas e procure no fundo das lágrimas alguns trocos abençoados. Para café; com sorte, para tabaco. Já ninguém compra presentes.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Como construir um Castelo.

Os dias cinzentos voltaram. Como senti falta deles.
Vêm constantemente, sem avisar. Nem um postal (com a morada do destinatário escrita do lado esquerdo, onde há mais espaço para divagar sobre uma rua qualquer). Aparecem, assim. Com tal falta de aviso prévio que nem dão tempo para se por as contas em dia! Afinal, baldes de tinta, pincéis e diluente ainda se tornam despesa, com a frequência louca com que são adquiridos. E a mão de obra? As paredes de uma alma, de uma casa cinzenta não se pintam sozinhas! E o coração? Quem tratará de o remodelar? Dissolver todo o nevoeiro, abrir uma janela e deixar a fumaça voar, misturar-se nas nuvens da calçada. Alguém deve fazer esse trabalho ingrato! Como podem os dias cinzentos querer voltar se ninguém lhes dá o tratamento principesco que eles merecem? Eles que vêm, que apagam a cor que tão arduamente foi compondo a felicidade, lembrando, mancha após mancha, que a promiscuidade de um sorriso é tão fatal como a escuridão dos pesadelos. Só tornam a parede mais grossa, obrigam a tinta, a cor, a procurar preencher a lacuna que o vazio do cinzento deixou. Camada após camada.
Hoje, a casa já não tem paredes, de facto. Tem muralhas.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Palavra das pessoas que nos Amam é sempre importante.
É almofadar um bocadinho o espaço vazio que fica no Coração.

domingo, 7 de novembro de 2010

Dia internacional da palavra Amo-te.

Já não sei escrever sobre Amor
Já não sei se sinto Amor
Talvez nunca tenha sentido Amor
Talvez não exista Amor.
Alguém sabe?
Quem sabe?

Hoje não sei se quero Amor.
Não quero Amor.
Não O procuro.
Ao Amor, entenda-se.

Hoje sinto que este sentimento me bate com força no peito, que me consome os minutos, os segundos, mas não as horas! O sentimento, o algo, a coisa, a cena está cá. Porém, não quer estar.
Hoje dedico o dia ao Amor. À palavra Amor. Ao amar alguém. Ao Amo-te. À palavra Amo-te.
Vejo-a no dicionário, vejo-a nas casas, nos carros, nas ruas, nas pontes. Mas não a sinto.
E talvez não a queira sentir nunca mais, porque os dias dedicados a esta palavra são iguais aos outros, são dias como outros dias.

São só dias.
É só uma palavra.
É só Amo-te.
AmoteamotetamotamotemotemoatemoaTEMO-A.
(Mais um cão?)

A sério?

Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te.Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te.Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te. 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Quando é que o raio da palavra começa a perder o sentido?
Se é que alguma vez o teve...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Metamorfose

"E quando no fim da viagem, Grete se levantou e distendeu diante deles o corpo jovem, pareceu-lhes que os gestos da filha eram uma confirmação daqueles novos sonhos - um encorajamento para as suas boas intenções."
Kafka