terça-feira, 31 de agosto de 2010

Boca de Cena.

Um acto.
Liberta a dor
do pensamento dilacerante
O peso que transporto
Na alma carregada de mágoa
Flutua.
Entre as estrelas
as milhões de estrelas
E a alma minha
Perde-se na noite vaga
Voando para longe.

Prostrada
Fica a carapaça velha e ferida
Os vestígios do que foste
E do que serias, nela
Vazia,
De olhos presos
Na janela indiscreta
Na lua discreta
Gemendo baixinho
Os segredos que descobria
Que Ele lhe dizia.

Não sei mais
Verdades e mentiras
Gritos de dor e de prazer.
Tudo na intimidade da noite
É uno
É leveza.
É o olhar vazio
Numa discrição indecifrável
De sombras vãs
Que lhe escondem a alma
Nos segredos sujos
Que as estrelas guardam
Que lhe bradaram aos ouvidos
Baixinho,
No acto.

Sem comentários:

Enviar um comentário