Só.
Nunca um vazio
uma escuridão cerrada
uma gaiola fechada
Nunca.
Hoje tudo parece certo
Neste momento tão errado
Hoje, os ponteiros do relógio
Continuam a girar
Quando o tempo
Há muito devia ter parado
Os ponteiros caminham
E das horas surgiram dias
E dos dias surgiu vazio.
Apagaram-se as velas mortiças
Num adro Azul.
Cortaram-me as asas
E a gaiola
Pareceu o único lugar acolhedor
Pois já nem o brilhante Azul do céu
Reflectia em Mim esse valor.
Hoje já não sei Ser
Outrora, perdi-me,
mas na força do tempo,
dos meus braços e
de tantos mais abraços
Encontrei a saída
Encontrei-me a Mim
Hoje,
Já me acomodei na gaiola
Porque o caminho esmoreceu
E o labirinto
Não é mais labirinto
Pois não estou perdida
Estou encontrada em Ti,
faculdade fantástica
Que inocentemente me deste
Quando me encontraste a Mim
Hoje.
Não me posso encontrar
Sei exactamente onde estou
Presa na escuridão
Que dentro de ti criaste
Ainda vivo,
permaneço na gaiola inquieta
Procuro, sim, a luz
Procuro a tua mão
Vem, com as asas que te dei
Cura as minhas
Vamos voar os dois
Mostra-me que ainda
Posso ser o que Sou.
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