domingo, 29 de agosto de 2010

Crónica da Bolacha Americana

A praia remete constantemente para férias. Este conceito transporta rapidamente qualquer individuo para um momento intocável da sua imaginação. O momento pelo qual anseia dia após dia, trabalho após trabalho, stress após aflição! Nas férias é suposto imperar o ideal "Dolce Fare Niente", que não passa de uma frase inventada para um qualquer cartaz de publicidade enganosa, que se erga junto de uma correnteza de escritórios, numa atarefada grande cidade. Este "italianismo" leva automaticamente o bom vivante a desejar nada fazer, com um prazeroso sentido gastronómico, posto em voga devido ao aspecto sinestético que abraça o termo "Dolce"! Daí que os bons garfos sejam os primeiros a procurar novos destinos balneares, onde existam os melhores restaurantes, casas de pasto ou tasquinhas típicas. Deste modo, o turista pode levar ao extremo o resto da ideia que a expressão transmite; "Fare Niente". Assim, evita fazer compras, esperar nas intermináveis filas, desempacotar os sacos, arrumar tudo e cozinhar, uma vez que a doçura da inércia se instala e se encuba no esperado calor. É, então, esta a perfeita expressão, a imagem do verenante incauto que procura um cantinho sossegado, entre chapéus de sol, toalhas de praia, baldes e pás, tapa-ventos, radiofonias, crianças aos gritos, velhinhas enrugadas em topless, cães sarnentos, tupperwares de feijoada de búzios, canos de saneamento entupidos, jogatanas de raquetes entre oito competitivos pares, e algas secas desde 1919, para poisar a sua cadeirinha e relaxar, embalado pelo som do mar e do ressonar do vizinho do lado. Convém nunca esquecer as horas de regressar, e as longas três horas entre o engarrafamento sazonal, com o ar condicionado desligado para ajudar o ambiente e a carteira.
Como passam depressa as férias...

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